Professor da UFF diz que cerca de 70% dos órgãos públicos não têm política de segurança para serviços eletrônicos
A segurança ainda e um fator importante na decisão de governos de adotar a computação em nuvem, e muitos gestores ainda não sentem confiança nos serviços de cloud atualmente disponíveis para o setor público, o que é agravado por notícias como a dos recentes ataques de hackers a diversos sites do governo federal e, inclusive, ao email da presidente Dilma Rousseff.
Essa foi a conclusão do primeiro painel do 10º Wireless Mundi, realizado nesta quinta-feira (6) em São Paulo, que contou com a presença de representantes de órgãos públicos e da academia. Segundo José Gomes Junior, superintendente de produtos e serviços do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que desenvolve software para órgãos públicos, os sistemas desenvolvidos pelo instituto recebem, em média, 15 tentativas de ataque por dia.
Já o professor Vinod Rebello, do Departamento da Ciência da Computação da Universidade Federal Fluminense, afirmou que o setor público está muito atrasado na questão de segurança mesmo hoje, quando a maioria dos sistemas públicos não é integrada. “Mais de 60%, 70% das organizações federais não têm políticas de segurança”, disse o acadêmico.
Ele lembrou ainda que há diferentes percepções de segurança quando se fala em computação em nuvem, e destacou a importância da disponibilidade de rede. “Hoje em dia, uma rede elétrica cai e a fornecedora não é punida. Se isso acontecer com a rede de internet, você perde todos os seus dados e o acesso a eles. Isso gera um prejuízo enorme”, disse Rebello.
De acordo com Gomes, o Serpro já disponibiliza seu serviço em nuvem, chamado Expresso, para diversos setores do governo federal, onde fornece ferramentas como email e agenda compartilhada. O Serpro também conta com um portal através do qual órgãos de governos federal, estadual e municipal podem solicitar o desenvolvimento de soluções personalizadas, embora o serviço ainda tenha um entrave burocrático, já que em muitos casos é necessário abrir uma licitação para contratar os serviços do Serpro.
Os palestrantes também abordaram as dificuldades de gerenciar uma rede WiFi aberta, como a que já foi implementada no centro de Brasília e em diversos municípios, como parte dos esforços de cidades digitais. Gomes afirmou que as redes de WiFi público desenvolvidas pelo Serpro, como a da capital, têm diversas listas de conteúdo não permitido, para impedir o uso da rede do governo por criminosos. “No caso do Serpro, você não pode ver vídeos e não tem acesso a certos sites, por exemplo”.
O professor Rebello acrescentou: “Privado não é a solução. Uma nuvem privada nada mais é que um cluster, não depende necessariamente da internet. A segurança de qualquer rede depende de quem a usa”.
Gomes também anunciou que o Serpro está desenvolvendo, junto com o governo federal, uma plataforma de dados abertos que, segundo ele, será disponibilizado “em breve”. A abertura de dados do governo de forma eficiente na internet é uma reivindicação antiga de diversos setores da sociedade.