WIRELESS MUNDI | Nº5 | set 2010
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O uso das redes sociais pelos governos ainda é burocrático e pouco interativo. Falta estimular uma participação mais ativa dos cidadãos.
Mas o que se tem feito para incluir o cidadão, o principal interessado nesse novo canal de diálogo com autoridades? Praticamente nada. Pelo menos é o que dizem os especialistas. “Salvo alguma iniciativa particular, entendo que o uso das redes no âmbito governamental ainda se apresenta mais como uma ferramenta de marketing”, observa Gilda Anjos, pesquisadora e integrante do grupo Comunicação e Sociedade do Espetáculo, da Faculdade Cásper Líbero. Como exemplo, cita que os conteúdos do governo do estado de São Paulo nas redes sociais são clara propaganda governamental. “Elas divulgam as obras feitas e a serem inauguradas ou notícias do site, que não precisariam ser repetidas.” Serviços de e-gov Ou seja, a tendência, mesmo que a evolução seja lenta, é de os conteúdos postados por governos nas redes sociais começarem a ser debatidos pelos seus seguidores, os cidadãos. “Os governos têm medo dessas ferramentas, mas eles cedem a movimentos de massa”, avalia Tânia. Afinal, os brasileiros já respondem por 11% de todos os tweets mundiais (o equivalente a 2,2 milhões de tweets), o Brasil é o quarto da lista no uso dessa rede social, atrás de Estados Unidos, Japão e Indonésia, e o português é a terceira língua mais popular no serviço, segundo dados da consultoria Sociotest. Primeiros movimentos Hoje, somente no Twitter, o Ministério da Saúde tem quase 20 mil seguidores ativos e o uso das redes sociais, como relata Fernanda, citando o exemplo da gripe suína, tem dado resultados muito eficientes: “Avisados em tempo real da falta de agulhas em um posto de saúde em São Paulo, o que impedia a continuidade do trabalho, tínhamos como checar e corrigir o erro imediatamente.” Depois de um mês esclarecendo a população, isso parou”, comemora a coordenadora.Para Ricardo Kadouaki, gerente de informações da Fundação Prefeito Faria Lima (Cepam), órgão do governo de São Paulo fundador da Célula de Inovação do Município (CIM), a rede veio para modernizar e agilizar a instituição pública. “O poder público tem que se modernizar para atender a velocidade da internet. Mesmo que não queira, qualquer um de nós já está na internet”, avalia ele. Rede própria Hoje, os instrutores de diferentes áreas da Fundação trabalham como articuladores e provocadores do debate entre os integrantes da rede. Publicam notícias de interesse e estão aptos a responder dúvidas dos internautas. A CIM conta com 123 grupos de discussão. A maioria reúne moradores de cidades do interior paulista mas há também grupos sobre temas específicos, como saúde, educação a distância, cooperativismo e software livre, por exemplo. Com a experiência na CIM, a prefeitura de Adamantina, cidade no Oeste paulista, criou um grupo de discussão sobre gestão cultural de municípios. As propostas discutidas pelos internautas foram levadas à Conferência Estadual de Cultura. Este sub-grupo é tido pela Cepam como um “filho” da CIM. A rede também atua na solução de problemas do dia-a-dia, como dúvidas sobre regras de licitação para compra de material. Segundo Kadouaki, a montagem da rede representou uma “quebra de paradigma” na cultura organizacional da Fundação, acostumada aos trâmites normais da burocracia. “Ainda há um processo de adaptação interna muito grande”, diz ele. Os funcionários foram treinados para atuar na CIM e fizeram capacitação com gestores municipais. Nesse processo, diz Kadouaki, importante foi o comprometimento da direção da Cepam com o projeto e o investimento na comunicação interna. |