Cidades Digitais
Conexão gratuita em todo o estado do Paraná
O projeto prevê a conexão dos 399 municípios, por meio da rede da Copel. A distribuição do sinal de internet será definida pelo município.
Por Fátima Fonseca
Foto Divulgação Celepar
O governo do Paraná decidiu investir em uma política pública para incentivar os municípios a implementar cidades digitais. O projeto, desenhado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedu), tem como pilar a rede da Copel Telecom, que já chega em 303 municípios e até o final do ano será estendida a todos os 399 municípios do estado. Além de universalizar o acesso à banda larga, o plano tem como objetivo criar ferramentas para a troca de informações entre as prefeituras e o governo estadual, dando mais eficiência à gestão pública. A meta é iniciar, até o meio do ano, com pilotos em dez cidades do Vale do Ribeira e do Centro Expandido (macrorregião que concentra os municípios com os menores índices de desempenho e onde vivem cerca de 28% da população do estado).
"Vamos escolher os dez municípios entre os que têm menos de 20 mil habitantes, que sejam cobertos pela rede da Copel e apresentem baixo Índice de Desenvolvimento Humano", informa Adriane Nunes Ferreira, coordenadora técnica da Sedu. Para desenvolver o projeto, a equipe criou tipologias dos municípios. "Consideramos a área territorial, a topografia e calculamos o número de pontos de conexões públicas para dimensionarmos o valor do investimento", explica. O projeto está estimado em R$ 100 milhões (apenas para a infraestrutura de acesso). O valor não inclui os investimentos da Copel, que já tem uma rede com mais de 22 mil quilômetros de cabos ópticos, entre backbone e acesso. De acordo com Adriane, a ideia é que os municípios financiem os sistemas e softwares de gestão, que serão desenvolvidos pela Companhia de Informática do Paraná (Celepar), responsável pela gestão da rede.
Com o nome provisório de Cidadania Digital, o projeto prevê a oferta de internet gratuita para a população, com velocidades entre 1 Mbps e 2 Mbps. "Os municípios maiores terão um anel de fibra e, nos menores, a ligação com a rede da Copel será feita por uma torre mestra e torres secundárias para a distribuição do sinal", explica o engenheiro Luís Eduardo Halila, da Sedu. A expectativa dos técnicos é de que toda a rede seja implementada até o final de 2014.
"Nossa proposta é que a rede seja usada nos municípios para prover internet gratuita tanto em pontos públicos, quanto nas casas", informa Halila."Quem vai decidir isso será o município, uma vez que as despesas de manutenção e operação da rede de acesso serão bancadas pela prefeitura e os custos de antena e instalação na residência serão do munícipe", explica. Segundo ele, o estado entende que esse modelo dá flexibilidade para o município buscar sustentabilidade. Os técnicos da Sedu acreditam que, em municípios menores, a prefeitura poderá negociar com os provedores locais o acesso gratuito para famílias de baixa renda, a 1 Mbps, e vender velocidades mais altas para as empresas locais. O estado também sugere que a prefeitura cadastre todas as empresas de instalação de antenas, uma vez que o acesso à internet nas residências será por tecnologia WiFi.
Melhoria na gestão pública
De acordo com os técnicos, além da inclusão digital, o projeto tem como meta a melhoria da gestão pública. "Com o plano estadual de banda larga, vamos construir um banco de dados com os serviços públicos dos municípios e um sistema integrado para atender às demandas", comenta Adriane. O presidente da Celepar, Jacson Carvalho Leite, detalha o plano, explicando que o governo está discutindo, por meio do Conselho de Tecnologia da Informação estadual (integrado por diversas secretarias e pela Celepar), meios de aliar as atividades de TI ao plano de governo. "O Executivo tem cerca de 120 entidades. O projeto prevê que cada uma delas tenha um assessor de informação que vai discutir com a Celepar os planos daquele órgão. Com o conjunto de planos e um centro integrado, vamos criar os indicadores que vão medir os serviços de cada órgão", explica.
De acordo com Leite, a Celepar está discutindo com as secretarias de estado um modelo de gerenciamento da rede e dos serviços que vão rodar na infovia. “Estamos construindo para o governo uma rede de VoIP que vai complementar o trabalho já realizado pela Celepar, interconectando todo os organismos públicos em cada cidade do Paraná”, informa Leite. Desde 2005, a empresa é responsável pelo gerenciamento da rede corporativa do governo, que tem 4.641 pontos, atendendo todos os órgãos do governo estadual nos 399 municípios.
“Essa rede é como se fosse o miolo do projeto. Nesse primeiro ano de gestão já elaboramos um projeto completo de voz sobre web, integrando todo o estado como se cada linha fosse um ramal”, informa Leite. Com essa implementação, completase a rede que a Celepar já tem, com a diferença de que passa a integrar voz, dados e imagem. “Isso é para organizar a máquina pública”, observa Leite, enfatizando que o objetivo é também incentivar os municípios a investirem na última milha e nos serviços de e-gov para que cada um deles seja uma cidade digital. “Quando pensamos em cidade digital, temos que pensar na conectividade e nos conteúdos que vamos jogar em cima”, destaca. No projeto em elaboração pela Celepar, há planos de incentivar os moradores, a indústria e o comércio a gerarem seus próprios arranjos sociais. “Com velocidade e conteúdo, queremos mais interação com a comunidade”, afirma Leite.
Com mais de 800 sistemas desenvolvidos e rodando nos diversos órgãos do estado, a Celepar trabalha, agora, para criar um sistema de informações que permita tratar os indicadores de gestão de cada serviço público. “Nessa visão, quando analisarmos os indicadores da Secretaria de Desenvolvimento ou do Planejamento, vamos medir os resultados e observar se o compromisso do governo está sendo atingido”, explica Leite.
Para isso, a empresa está criando um centro integrado de informações estratégicas. Em cada complexo do governo será instalada uma sala de gestão de informações, gerenciadas em uma “sala de situação” no centro integrado. Com ele, a meta é que todas as áreas de governo tenham o mesmo patamar de gestão já implementado na educação. Pioneiro na informatização das escolas públicas (o projeto começou em 2005), o Paraná tem suas 2.136 escolas estaduais conectadas. Além disso, quatro mil escolas municipais estão ligadas à rede corporativa do governo e usam o Sistema Estadual de Registro Escolar (SARE).
“Temos mais de 50 sistemas de educação integrados, com aplicações para a gestão dos mais de 1,4 milhão de alunos da rede estadual e de 73,8 mil professores”, detalha Marcia Sens, analista da Celepar. O SERE, por exemplo, tem funções para gerenciar o cadastro do aluno, os relatórios finais ou o boletim na web. “Com as informações dadas pelo sistema temos condições de calcular a demanda de funcionários e de professores”, relata. Outra ferramenta, georreferenciada, permite localizar o mapa da escola, a capacidade por turno e por disciplina, e cruzar as informações com o endereço dos alunos para que os estudantes frequentem a escola mais próxima de sua casa.
Outros sistemas analisam os dados e indicam a necessidade de mais salas ou de novas escolas e permitem um gerenciamento de todo o processo da merenda escolar, da aquisição até a distribuição. O Paraná Digital, como é chamado o sistema informatizado de escolas no estado, tem também conteúdo educacional tanto para alunos quanto para a formação de professores, por ensino a distância. As escolas contam com conexão de 10 Mbps, fornecida pela Copel Telecom.
Copel: tecnologia de ponta.
A Copel Telecomunicações já fornece links diretamente para mais de 30 prefeituras do Paraná e para provedores locais, com a venda no atacado a R$ 230 o megabit. O decreto estadual nº 7.990, de 10 de agosto de 2010, que estabeleceu as condições para a adesão dos municípios e provedores de acesso, já prevê a expansão da rede para todos os municípios paranaenses. Além dos investimentos na rede de transmissão (backbone), a Copel está investindo R$ 80 milhões este ano para aumentar a capacidade na rede de acesso com a implementação da tecnologia Gpon (Gigabit Passive Optical Network).
"Nossa rede era ponto a ponto e passamos para pontomultiponto com a tecnologia Gpon. Concluímos a instalação em 37 bairros de Curitiba, no início deste ano, e já temos na capital uma rede para 60 mil pontos. Agora, vamos ampliar para outros bairros da capital e para cidades menores do interior", informa Antonio Carlos Wulf de Melo, superintendente de telecom da Copel Telecomunicações. O superintendente destaca que com o Gpon é possível pegar uma fibra e dividir em 64 usuários, o que permite reduzir o prazo de instalação e o custo.
No ano passado, a Copel Telecom modernizou seu backbone, implementando a tecnologia DWDM (Dense Wave Division Multiplexing) para aumentar a capacidade de transmissão em sua rede de alta capacidade. Os equipamentos foram contratados da Nokia Siemens Networks, que usa a tecnologia Photonic Cross-Connect – reduz os custos de transporte de dados e assegura escalabilidade para a rede, preparando-a para demandas futuras. Como a Copel tem uma rede 100% em fibra, com os equipamentos DWDM sua capacidade de transmissão pode atingir 3,2 Terabits por segundo. "A interligação entre as principais cidades, com velocidade de 10 Gbps, estava esgotada; por isso, compramos um sistema de 40 canais de 10 Gbps e resolvemos o problema de banda por um tempo", comenta Melo. Em fevereiro deste ano, a rede da Copel somava 22 mil quilômetros, entre backbone e rede de acesso. Além dessa infraestrutura, a empresa é também responsável por assegurar a conexão de seu backbone IP com os pontos nacionais de troca de tráfego e com as redes nacionais e internacionais de internet.
Conexão sem fio
Numa ação de marketing, a Copel colocou neste verão uma rede WiFi na faixa litorânea dos principais balneários do Paraná, com acesso gratuito a internet. O serviço fez parte das ações da operação Verão Paraná. A empresa instalou ao longo das avenidas e ruas que beiram as praias mais frequentadas do litoral 21 estações – interligadas entre si por fibras ópticas – para emitir sinais de rádio com alcance médio de 200 metros.
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